quarta-feira, 26 de março de 2014

Pedra da Gávea- Teste para os Montanhistas.


Até agora, essa é a trilha mais pesada que fiz no Rio de Janeiro, existem alguns obstáculos pelo caminho, mas nada impossível, porém, sem ajuda de amigos alguns trechos iria demorar mais para passar e provavelmente me machucaria.

Pode-se chegar na base do cume, chamada Praça da Bandeira, por vários caminhos, mas o mais divulgado é o que começa no Largo da Barra, seguindo pela Estrada Sorimã.

O clima quente e úmido foi mais uma vez um obstáculo, a Carrasqueira, o trecho de escalada, faz uma peneira psicológica e o acesso a cabeça do Imperador testa sua noção espacial e habilidade em ser macaco.

Uma das lições dessa trilha foi o racionamento de água, transpirando em baldes, tive uma queda de pressão no primeiro trecho da trilha que quase encerrou meu passeio, bebi muita água e dessa vez só contava com 1 L e 500ml de isotônico, não foram suficientes, ainda bem que no meio tem uma bica natural que pude reabastecer, no segundo trecho até o cume precisei controlar mais a sede, porém, desci quase sem água e precisei me apoiar um pouco no estoque dos amigos.

Minha segunda lição, fazer trilha acompanhada é estratégico: Segurança, Apoio, Generosidade, Ânimo e Fraternidade.
Obrigada aos amigos, Jana, Almir, Valmir e o Índio (que não gosta de aparecer em fotos)

E minha terceira lição: nunca se está 100% preparado para um desafio. Eu só fiz a trilha, porque acabara de fazer check-up médico e estava apta a exercícios físicos, além do que tinha terminado as minhas sessões de fisioterapia por conta de uma tendinite no tendão do glúteo mínimo e semanalmente subia algum morro e me sentia muito bem, logo, poderia subir a Pedra da Gávea. Porém, na Carrasqueira, um pé apoiado numa posição X somado a um impulso fez uma torção no meu joelho e meu menisco medial e ligamento colateral medial, não resistiram. Na hora, senti que uma m***a havia acontecido, mas o sangue quente e adrenalina mascararam a dor, continuei a subida numa boa, mas a descida foi penosa e os amigos tiveram muita solidariedade comigo.
Resultado: ruptura do menisco e estiramento do ligamento, procurei 3 médicos. O meu ortopedista que pensa logo numa cirurgia disse que meu caso era cirúrgico, o segundo queria fazer umas injeções para acelerar minha cicatrização e me mandou para a fisioterapia, sugeriu uma cicatrização espontânea e o terceiro que seria meu cirurgião pediu um tempo de 3 meses para que meu corpo tentasse regenerar os tecidos lesionados, pediu para pausar as atividades de impacto e o montanhismo, mas não interrompeu minha natação e sugeriu que assim que a dor passasse fizesse musculação.

A quarta lição, que ainda estou aprendendo, diariamente e principalmente aos finais de semana, são a Resignação e a Resiliência. Ainda bem que teve o Carnaval no meio para curar a tristeza.

Bom, termino o Post com um videozinho dessa aventura-teste cheia de lições!



Curiosidades:



  • Pedra da Gávea: 2512m de extensão de trilha, com altitude de 844m
  • O caminho que leva até o ínicio da trilha é uma estradinha feita por escravos e com algumas ruínas nas laterais.
  • Foi a 1ª Montanha Carioca a ser batizada com nome português em 01/01/1502. Gávea é o cesto do navio que fica o marinheiro que grita "Terra à vista".
  • Maior monolito à beira mar
  • Local de lendas urbanas e fenícias
  • Uma das trilhas mais assaltadas do Rio de Janeiro


segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Mais uma Trilha - Morro da Babilônia


Para continuar no embalo de 2013, acompanhei por mais uma vez o grupo Adventurers. Dessa vez o passeio foi a Trilha das Fortalezas, no Morro da Babilônia, com aproximadamente 2 Km de extensão, uns 200 m de altura e considerada de nível leve.

O Morro da Babilônia faz fronteira com Botafogo, Urca e Leme. Nesse morro encontramos a Comunidade do Babilônia/Chapéu Mangueira, pacificada em 1998. Essa trilha não é nova, mas devido à proximidade com uma área onde traficantes e ladrões se escondem, não é muito conhecida pelo público e temos relato de assalto, mas nada que tire o brilho dela.

Em 5 de junho de 2013 foi criado por decreto o Parque Natural Municipal Paisagem Carioca, o que melhora ainda mais as ações para o manejo da área que futuramente integrará o grande projeto da Transcarioca.

Esse morro ganha sua cobertura mais típica desde 2001 a partir de esforços para seu reflorestamento.

Década de 90

Meados de 2008
fonte: http://liverio.wordpress.com/ acessado em 20/01/2014.

O nome da trilha se dá porque geograficamente ela fica entre as Fortaleza de São João e o Forte Duque de Caxias (Forte do Vigia ou do Leme) e por ali também encontramos ruínas do Forte da Ponta do Anel e da Guanabara (que não encontramos por ser de acesso difícil-dificílimo).

Também encontramos uma casamata usada na Segunda Guerra Mundial, o Metro guardou por lá explosivos na época de suas obras em Copacabana, e nós passamos por esse Paiol.

O mais interessante nessa trilha é observar cartões postais do Rio por ângulos totalmente diferente.
São vários mirantes:
1. Mirante de Copacabana
2. Mirante Rio Sul
3. Mirante do Telégrafo
4. Pedra do Urubu

Eu fiz a trilha começando pela Vila Militar, mas também é possível contratar guias da Coop Babilônia para fazer o percurso, ótima alternativa, deixo aqui o relato de uma amiga blogueira que já fez essa trilha com eles e teve uma ótima experiência, confere lá no Ziga da Zuca o que estou falando.

E aqui outro relato com fotos bem bacanas e orientações de como fazê-la.

Veja o resumão em vídeo:




DICA: Visite a fanpage do grupo Adventurers no Facebook, siga a agenda de passeios, aproveite, porque ainda é de graça.

Patrocínio: Bihai Adventure








segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Review Fogareiro Lumix


Eu já dei a dica do Fórum Bushcraftbr, um local de ótimas trocas de informações sobre mato e numa recente brincadeira entre seus membros, um deles ganhou o fogareiro desse pequeno post.
Passeando no supermercado, na secção de churrasco, encontrei um e não hesitei em levar. E após minha última trilha, resolvi testar.

Fiz a trilha do Bico do Papagaio, de intensidade pesada, e sabia que chegaria um tanto exausta no final do percurso.

 Aprendi que um cafezinho é um ótimo restaurador de ânimo e ali seria o momento para testar esse pequenino.

Detalhes Técnicos:
O fabricante não menciona em qual metal o produto é feito, mas ele se parece com aquelas latinhas de tinta.
Ele é composto de três partes, uma tampa, suporte e recipiente ventilado. A tampa dá mais estabilidade ao conjunto e seria um regulador da chama também.
Acompanha três pastilhas de álcool sólido de 19 g.
Dimensões: 8,5 cm de diâmetro x 5,5 cm de altura.
Acompanha manual.
Uma pastilha leva 3,5 min para ferver 300 ml de água e a fervura  se mantem por mais 8 min, segundo o fabricante. A minha caneca com uns 150 ml de água esquentou a água em 2,5 min, mas em 6 a pastilha havia acabado. Vale comentar que não usei a tampa e ventava forte no local.

O fabricante diz que:

  • 1 pastilha queima por 9 min
  • 2 pastilhas queimam por 15 min
  • 3 pastilhas queiman por 25min
Com essas informações dá até para fazer uma refeição de preparo rápido (a ser testado).

Segue agora o vídeo do teste desse fogareiro:




domingo, 8 de dezembro de 2013

O que levar de Roupas e Acessórios para Pantanal

Esse é um vídeo em que falo brevemente sobre o meu vestuário e acessórios no Pantanal. Os índios andavam nus por lá, mas nós não temos a mesma resistência.
Eu tive o dilema da calça comprida, fui numa época quente, sol forte o que pedia  uma bermuda, só que aprendi que conforto vem em segundo quando se fala em ambiente natural.
A calça preferida para os passeios foi a Bihai Extreme, calça de tecido rip stop, com tramas de poliester e algodão, com seis bolsos que são extremamente úteis. O tecido da calça é o mesmo das calças militares, então, é bastante resistente.
E usei uma blusa de poliamida, de mangas longas, muito usada por pescadores para proteger do sol e assim evitar ficar passando protetor solar periodicamente. O fator de proteção UV da camisa é 50+.
Botas sempre.
Chapéu de abas grandes.
Óculos escuros.
Prefira os com lente polarizadas porque essas lentes aumentam o contraste das cores ao mesmo tempo que diminuem o reflexo da luz, em campo aberto faz muita diferença.
Binóculos
Fiz uma breve pesquisa e resolvi seguir as dicas de um site sobre Ornitologia e deu super certo. Precisava de algo pequeno, mas que atendesse as necessidades. Comprei um Tasco, uma marca do grupo Victorinox. Pensei, se o canivete é bom, provavelmente o binóculo dará conta do recado, e deu.
Repelente Extrême, já comentado em outro post.

Dito, vamos ao vídeo:


quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Bonito - Vale a pena! Parte 3

Dia 4

Boca da Onça


Mais uma fazenda com muitos atrativos e boa infraestrutura. Essa me chamou a atenção por ter a cachoeira mais alta do Mato Grosso do Sul.

Meu grupo chegou por volta das 9h no receptivo, fomos recebidos com café, suco, bolo caseiro, bolinho de chuva e de queijo. Esperamos por uns 30 minutos para partir, mas o receptivo é lindo e tem uma pequena sala contando a história do local, alguns artefatos cobertos com cálcario, ossos de alguns animais locais e cerâmica dos índios da região e como sempre um redário para descansar. O tempo voou...
O maior pertenceu a uma onça pintada e o menor a uma onça parda



 A Trilha ecológica da Boca da Onça tem 4km de extensão, mas é muito tranquila  de se fazer. Meu grupo começou no sentindo anti-horário, e o primeiro ponto de parada é na plataforma de rapel com uma descida de 90m.







De lá se tem a vista de todo o vale do Rio Salobra.
 

 E mais a frente começa uma descida de uns 800 degraus até a cachoeira que dá nome ao local. Eu recomendo muitíssimo que se faça o sentindo anti-horário da trilha, imagina subir 886 degraus, desafiante, né?!



Eu nunca tinha visto uma cachoeira com deck de madeira...

boca da onça


O poço é fundo e existe uma bóía que delimita o espaço para banho.

A água gelada curou a fatiga das pernas e continuamos o percurso. Friso que apesar de longa, a caminhada é muito tranquila, se o caminho não é plano, há corrimões, passarelas e escadas.











Nós passamos por várias formações curiosas com seus devidos nomes criativos até chegar no banho mais gostoso: no Buraco do Macaco.


Cachoeira do Fantasma?
Buraco do Macaco























De volta ao receptivo almoçamos, descansamos e retornamos à pousada.

A segunda recomendação desse passeio: se tiver papetes ou sandálias de trekking, use-as. São várias paradas para banho. Leve toalha e roupas de secagem rápida, além do fiel repelente.

À noite visitei o Projeto Jibóia. Sinceramente, para quem tem curso de sobrevivência como eu, não somou muito. O trabalho do cara é interessante, a palestra está mais para um Stand up comedy, e no final tiramos foto com uma jibóia no pescoço.

Bonito chegou ao seu final e deixou ótimas impressões, Esses 4 dias foram o suficiente para mim, mas se tivesse recursos ficaria mais com certeza.

Crédito das fotos para Jaciane Hammad.

continua agora com os passeios do pantanal

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Travessia Paineiras x Vista Chinesa, via Morro do Queimado

Apesar de toda a especulação imobiliária, serviços inflacionados, políticos bandidos, o Rio de Janeiro é uma cidade fantástica.

Conheci por intermédios de amigas um grupo que faz as trilhas pela cidade,  Projeto Descobrindo os Cantos do Rio, não apenas as mais conhecidas, mas aquelas que estão abrindo conforme o avanço das UPPs, ou aquelas que simplesmente não são divulgadas.

Essa minha primeira excursão com eles foi a Travessia Paineiras x Vista Chinesa, via Morro do Queimado, uma trilha que o Parque Nacional da Tijuca não divulga (?).

O grupo Adventurers é muito organizado. Existe uma pequena explicação sobre a trilha no ínicio da caminhada, os organizadores levam kit de primeiros socorros, água e alimentação para os desavisados. Para quem gosta de história a Rosely conhece bastante sobre o Parque.
Trilha moderada.




domingo, 17 de novembro de 2013

Bonito. Vale a pena! Parte 2


Dia 3


Buraco das Araras


Todos os guias nos avisaram que andávamos em cima de um solo que era igual a um queijo suiço. O Buraco das Araras é desses furos aparentes do solo, na verdade o nome técnico é Dolina, um desabamento do solo num salão calcário que um dia se encheu de água da chuva que penetrava na superfície por meio de fissuras e no outro se esvaziou, o teto do salão, então, não aguentou e cedeu formando a estrutura.
Essa dolina tem 500m de circuferência e 100m de profundidade, e virou habitat preferido das Araras Vermelhas, porém outras espécies se encontram lá, a mais curiosa é um casal de jacarés que para sobreviver comem seus filhotes.


O guia oferece binóculos para os visitantes, mas recomendo que você leve o seu, são muitos detalhes para apreciar e quando acha que viu tudo, acaba descobrindo outra curiosidade e não irá querer tirar os binóculos da cara.





As araras tem temperatura corporal de 45ºC, e por isso, elas não ficam dando rasantes se a temperatura estiver alta. O melhor horário para vê-las é bem cedo ou no final da tarde.








Fotos: Crédito Jaciane Hammad











Flutuação Rio da Prata


Tem muita água doce nessa terra, os valores de grandeza impressionam, temos ali o Aquífero Guarani, Bacia do rio Paraguai e os rios principais da região: Formoso, Prata, Mimoso, Peixe, Perdido, Ahumas, Olaria e Miranda. E a característica marcante da transparência de suas águas é devido as nascentes serem em solos calcários.





A Flutação é feita no Recanto Ecológico Rio da Prata, com uma infraestrutura de tirar o fôlego e diretrizes bem claras de sustentabilidade.




















Meu grupo chegou aguardou o delicioso almoço (vale a pena incluí-lo), descansou um pouco no redário e se preparou para o passeio.












Recebemos orientações sobre o trajeto, uma roupa de neoprene de 5mm, botas, máscara e respirador. Entramos num caminhão adaptado para passageiros que cruzou um trecho da Fazenda até chegar no ínicio de uma trilha.





A caminhada é de nível leve pela mata ciliar do Rio da Prata e dura uns 30min, mas a flutuação na verdade é no rio Olho D'água.
A nascente desse rio é incrível, é uma grande piscina natural onde a água brota do fundo.
A flutuação é incrível, basta cruzar os pés, remar suavemente com os braços e deixar a correnteza levar. A transparência da água permite ver a vários metros de distância mesmo com o tempo nublado. Saímos algumas vezes do rio quando a correnteza ficava forte, mas andávamos em plataformas e a mata ciliar era poupada dos turistas. Chegamos até o ponto onde os rios se encontram e a profundidade aumenta, nesse ponto já estava cansada de tanta beleza e preferi apreciar o rio no barco elétrico, que por não usar o motor a combustão permite um passeio contemplativo silencioso.

No final do passeio o caminhão estava lá pronto para o retorno.

Fotos: do passeio de flutuação não tem uma. Os vídeos que fiz ainda estou editando, mas em breve colocarei aqui.

Dois imprevistos: Chovia e relampejava, mas mesmo assim o passeio foi liberado, não havia riscos de tromba d'água. Porém, um raio caiu próximo que todos que estavam na água sentiram um tranco. Não foi agradável, um casal preferiu não continuar.
No final do passeio, no vestuário uma enorme aranha estava descansando atrás de uma viga. Não a vi, e no entusiasmo do passeio, gesticulava espaçosamente que minha toalha assustou a bichona e ela ficou em posição de ataque. Senti um friozinho na espinha, mas foi retomar a consciência que estava em ambiente natural, onde sempre se deve prestar atenção, mantive a calma e a aranha voltou ao seu esconderijo e eu a minha rotina de turista.


Continua