segunda-feira, 1 de julho de 2013

Lapinha - Tabuleiro: Lição 1


Essa é uma boa travessia para quem está começando no trekking ou retornando. Se você está mediano fisicamente consegue fazer numa boa.
Porém, a orientação é difícil. mesmo com GPS pode-se perder nas bifurcações que aparecem.
Garmin GPSMAP 62sc,
outdoor Gear Lab

 Os aparelhos de GPS não são 100% precisos  e  isso pode confundir o usuário iniciante. Achei um bom comparativo entre os GPS no Outdoor Gear Lab.
Estava com carta e bússola  e em certos momentos não tinha pontos de orientação suficientes para checar no mapa e nos tracklogs. Porém, se perder por lá não é tão ruim assim você andará mais, entretanto, como é área de  fazendas e  outras propriedades você achará algum caminho ou alguém que poderá te socorrer, mas se não achar e tiver que pernoitar por um dia , não será difícil já que a trilha têm várias fontes de água e bons locais para acampar.
Se você nunca fez a travessia como eu, procure por pessoas que também a farão, pelo que experimentei muita gente faz esse percurso. É fácil de se encaixar em um grupo, ou se não quiser contar com a sorte, procure um guia. Eu achei um que me cobrou R$1200,00 (para 2 pessoas) pelos três dias com suporte de mula e translado de BH-Lapinha e Tabuleiro-BH e não precisaria levar barraca, já que a hospedagem estava inclusa. Para alguns isso pode ser uma alternativa.

Essa é a primeira reflexão da minha viagem, não subestime a Orientação, se puder invista num aparelho de GPS, faça cursos para aprender usá-lo, saiba ler mapas e usar bússola, pq é melhor pecar pelo excesso do que ficar perdido na trilha.
Até.



segunda-feira, 17 de junho de 2013

Lapinha-Tabuleiro: Treinos

Descobri a Travessia em dezembro de 2012, mas como estava muito fora de forma decidi adiar para meio de 2013. O projeto tomou vida em março. A primeira coisa que fiz foi entrar para a natação e melhorar meu condicionamento físico, nos feriados e finais de semana andava em lugares com aclives e declives, principalmente no Parque Nacional da Tijuca.
Início do percurso 7,5Km de subida até estrada do Sumaré
Cruzando com os macacos - Eu juro que pensei que ele iria levar a minha câmera

Vista Baía de Guanabara

De qualquer lugar se avista Ele

Depois comecei a treinar com alguns equipamentos e estudar mais sobre navegação e orientação. Passei um domingo inteiro com a companheira de viagem estudando vários percursos e definindo os pontos de orientação da trilha. Durante o início da trilha, até prestei atenção ao trajeto, procurando por pontos de referência, contei as porteiras, tirei foto das bifurcações, mas em determinados pontos, mesmo estudando o mapa, provavelmente iria me perder, até quem tinha GPS se perdeu, pois os pontos não eram tão precisos e algumas bifurcações ficavam camufladas, por exemplo, no contorno dos picos, ao invés de subir à esquerda no caminho mais difícil com um monte de pedras, o GPS indicava um caminho menos íngreme e mais paralelo, mas que não iria a lugar algum.
Acho que era para esquerda...Cadê o pessoal?

Passagem de nível. 

Apesar da trilha ter nos abrigos alimentação, todos os blogs alertavam para a possibilidade de não haver refeições para todos e com isso fiz umas pesquisas sobre o quê levar para fugir do miojo e da comida liofilizada. Calculei cerca de 1kg de comida por dia, eis, o que a princípio levaria para duas pessoas:
1. 300g de queijo provolone
2. 300g de salaminho
3. 2 porções de 175g de massa para pão de queijo
4. 4 ovos
5. 1 caixa de lentilha pronta (400g)
6. 2 xícaras de arroz
7. carne seca pronta 500g
8. purê de batata liofilizado 200g (rendia até 1kg)
9. 6 colheres de sopa de café e alguns saches de chá
10. 500g de feijoada pronta
11. 1 cebola média
12. 3 dentes de alho
13. sal, pimenta, azeite (30ml) e açúcar
14. umas 6 barrinhas cereais e alguns tabletes de chocolate
Além disso tinha uma panela, um jogo de talheres, fogareiro e mini butijão.
E a companheira de viagem ainda levava algumas coisas com ela, como tangerina e pão árabe
No início era isso.


Total da Cozinha e Alimentos: 4Kg


Meu planejamento eram duas refeições por dia: café da manha (café, mais pão de queijo e os frios), durante o percurso as tangerinas, as barrinhas de cereal e mais salaminho, queijo e pão, e no final do dia  algum grão, arroz e proteína. e chocolate ou fruta de sobremesa. Levaria uma refeição sobressalente caso me perdesse e precisasse ficar mais um dia acampada.

Achei que estava bom, mas na hora de montar a mochila ela estava pesando 16kg!!
Não dava, eu queria carregar no máximo 10kg, tirei a refeição sobressalente e cortei na metade o salaminho, queijo e ovos, e ainda troquei a carne seca, purê e cebola por 2 pacotes de miojo e levei só uma xícara de arroz .

No final a minha mochila estava assim: - Pesando uns 13kg.


não é o fim...

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Lapinha-Tabuleiro: Começo

Completada mais uma aventura. Houve muita pesquisa, muito planejamento, uma dose de coragem e um mix de eventos que você só encontra quando se abre para fazer parte da Natureza.
De certo tinha as passagens de ida, a carta topográfica, track log impresso, bússola, comida e recipientes para água extras. Eu já contava que poderia me perder.
Mas existe uns extras que havia esquecido por ficar tanto tempo longe dos trekkings longos: a solidariedade e generosidade dos caminhantes.
Antes mesmo de descer do ônibus BH-Santana do Riacho começou a se aglutinar um grupo que faria a travessia.
No frete até a Lapinha e depois do almoço as afinidades já se mostraram e o grupo se organizou, apenas um desistiu e partimos para nosso caminho.
Parte da galera

Lapinha
Aglutinação

Todo mundo limpinho e bem alimentado

Não vou descrever aqui o passo-a-passo da trilha, porque todas as dicas que peguei foram dos sites e blogs abaixo e tivemos um Cacique que havia feito a trilha mais de 12 vezes e nos mostrou alguns atalhos e dicas que facilitou ainda mais a vida.

Clube dos Aventureiros

Comecei a minha pesquisa por aqui. Por acaso, fuçando o site achei a travessia e me interessei de cara. Foi um ótimo começo, eles têm muito material, mas não segui a trilha deles porque preferi não subir os picos.

Chico Trekking

Também fez os picos, o relato dele e as fotos, principalmente, da Parte Alta da Cachoeira do Tabuleiro me fizeram ter a certeza de que iria fazer a travessia.

Destino Trilha

Mais um bom relato e dicas do que esperar na trilha.

Caçadores de Cachoeira.

Para quem se interessa em fazer a trilha contornando os picos esse blog faz uma excelente descrição do trajeto, tem até o tracklog. Esse foi o texto em que realmente em embasei para fazer a aventura. E por uma boa coincidência, encontrei duas pessoas que participaram da travessia descrita. O Alex, que talvez tenha como segunda casa a Serra do Cipó e foi nosso guia e o Raimundo que me pareceu um trilheiro também muito experiente.

Eu queria ter feito um monte de review dos equipamentos que levei. Estava preparada para colocar em prática os meus conhecimentos de orientação e etc, mas simplesmente me desliguei de qualquer compromisso que tinha. No próximo post conto mais da minha experiência.

Links para outros capítulos dessa trajetória:

Lapinha - Tabuleiro: Treinos
Lapinha - Tabuleiro: Lição 1
Lapinha - Tabuleiro: Lição 2



quinta-feira, 9 de maio de 2013

Aplicativo Guepardo

Isso aqui não é um review do novo Aplicativo da Guepardo para Smartphones, é uma primeira impressão.


A interface é bastante amigável e na tela principal já aparecem os menus.

1. Diário de Bordo: Um Note, que vc pode anexar fotos do lugar em que está e se estiver com conexão pode até enviar por email ou postar no mural do Facebokk.
2.Check list: com duas abas; uma para Lista de Equipamentos e outra para mostrar o catálogo da Guepardo. A Lista de Equipamentos abre uma janela com três tipos de listas para o que levar em casos de Camping que pode ser Família, Estruturado ou Selvagem, as sugestões de equipamentos são completas.
O Catálogo mostra obviamente os produtos da Guepardo, uma interação bacana para quem gosta de saber as novidades da marca.
3. Navegação: Mostra Bússola (que eu achei de difícil visualização), prefiro se for o caso usar do próprio IPhone e um Medidor de distância que ainda não sei se funciona por passada ou se faz uso do sistema de localização dos Smartphone
4. Ferramentas: Lanterna que é deixar o visor do celular todo branco, um sinal sonoro programado de SOS, e sinalizador sonoro, que a princípio não surtiriam o efeito desejado, já que o alcance dos alto-falantes do telefone é curto.
5. E a opção Sobre que apresenta um Institucional da empresa, uma aba rápida para contato e mais uma vez o catálogo dos produtos.

É um aplicativo de entretenimento, gratuito, que pode distrair enquanto a carona para a trilha não chega!
Abs

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Tropeirismo e Trekking

Eu não gosto de comida liofilizada, salvo miojo (que acredito ser) todas têm um único gosto que não me agrada.
Acertar a quantidade de água e a temperatura no meio do mato não é fácil e se a hidratação da refeição não ocorre corretamente, o organismo será forçado a equilibrar roubando do próprio corpo a água a ser utilizada.
Lembrei da frase de um amigo naturapeuta sobre quais são os melhores alimentos a consumir e o mesmo me jogou que "aquilo que está ao ser redor já é suficiente". Então, para que inventar com produtos importados ou industrializados se poderia transportar e consumir alimentos que meus ancestrais utilizavam.
Busquei na nossa história pessoas que precisavam se deslocar em grandes distâncias e quais alimentos carregavam e cheguei nos tropeiros.
fonte:http://migre.me/e5M5h
fonte:http://migre.me/e5M7d

fonte: http://migre.me/e5Mav

Esses homens influenciaram enormemente os hábitos e a economia do Sul, Sudeste e Centro-Oeste na época do Brasil Colônia e Império e sua culinária resiste até hoje.
fonte: http://migre.me/e5Mvv
Eles eram chamados de tropeiros porque conduziam tropas de cavalos e mulas afim de transportar mercadorias e às vezes gado para os arraias que se formavam devido à mineração e depois escoavam a produção até o Rio de Janeiro. Devido aos seus deslocamentos ranchos foram criados que posteriormente evoluíram para vilas e cidades. Eles também eram os responsáveis por levar idéias e  notícias aos cantos do Brasil e podemos dizer que foram os primeiros a fazer a integração do território brasileiro.
Existe um projeto para que eles sejam reconhecidos como Patrimônio Imaterial pelo Iphan e até Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco.
A atividade do tropeirismo surgiu principalmente, porque todos os homens-livres e escravos eram empregados especificamente nas minas, então, alguém precisava levar comida, vestuário e utensílios até eles. No Sudeste, a Estrada Real é um legado dessa época.
mais sobre a Estrada Real acesse esse link: http://migre.me/e5Mk8

Os tropeiros carregavam para suas refeições principalmente: feijão, toucinho, fubá, farinha de mandioca, carne salgada ou seca, café, pimenta-do-reino e coité (um molho de vinagre com fruto caústico espremido). Daí surge um prato regional chamado Feijão Tropeiro.



A comida tropeira era, por si só, simples, prática e de muita “sustança’’, como os próprios tropeiros a definiam. O básico que o tropeiro levava para comer no caminho era o feijão, o arroz, a carne-seca e o toucinho. Depois vinham os acompanhamentos, como as farinhas de milho e de mandioca, o sal, o alho, o açúcar e o pó-de-café.
Logo de madrugada, o cozinheiro, que sempre era jovem, acordava e colocava o feijão para cozinhar, em um trempe “tripé” (arco de ferro com três pés, e sob o qual se coloca a panela ao fogo), enquanto os outros arreavam a tropa e colocavam a carga nos animais. Depois do feijão cozido, fazia-se o café, e, numa panela, fritava-se o toucinho, preparando um feijão tropeiro bem gordo, completando com a farinha de milho. Tomava-se o café com este feijão. O resto do feijão cozido, sem tempero, era colocado num caldeirão e levado no saco para o almoço no caminho. Depois de pelo menos 4 léguas (mais ou menos 24 Km), os tropeiros paravam num rancho e o cozinheiro ia preparar o almoço.
Fritava o torresmo numa panela, tirando o excesso de gordura, e só então colocava o feijão já cozido, os temperos e a farinha de milho, fazendo novamente o feijão tropeiro. Alguns tropeiros mais abastados tinham a carne-seca e a lingüiça que eram acrescidas ao feijão. Na seqüência, preparava-se o arroz tropeiro, fritando torresmo em pedaços, escorrendo o excesso de gordura e depois colocando o arroz para cozinhar.
Esse era o almoço e o jantar do tropeiro. Um outro fato curioso era o preparo do café, que era bebido logo após as refeições.
O tropeiro colocava o pó-de-café e o açúcar numa água já quente. Quando essa mistura fervia, para decantar o pó, o tropeiro colocava três carvões dentro da água, ou então uma pedra, que era  esquentados no próprio fogo.
Após todo esse procedimento, virava o café noutra vasilha e distribuíam para os membros da tropa.
Fonte: Sabores do Tempo dos Tropeiros – Caderno de Receitas
Esse prato vai constar no meu próximo trekking, porém, para não perder tempo e recursos cozinhando vou utilizar os feijões em caixinha pronto e temperado que já apresentei aqui no blog e das farofas prontas, o toucinho e algumas folhas de couve também me acompanharão, assim como o inseparável arroz.


fontes:
http://www.tropeirosdasgerais.com.br/historia.htm
http://www.uesc.br/revistas/culturaeturismo/edicao3/artigo2.pdf
http://site.er.org.br//index.php/home/index
http://pt.wikipedia.org/wiki/Caminho_das_Tropas
http://pt.wikipedia.org/wiki/Tropeiro
http://www.historica.arquivoestado.sp.gov.br/materias/anteriores/edicao41/materia06/



terça-feira, 19 de março de 2013

Volta da Moringa


Esse não é o primeiro nó que aprendemos, na verdade ele nem foi mencionado no curso de sobrevivência, mas eu achei que seria uma boa ilustração para uma das funções do meu chaveiro-mosquetão de paracord.




Na loja Bihai Adventure você encontra esse chaveiro-mosquetão.

Para ver o esquema que me fez entender o nó segue o link: http://www.lisbrasil.com/pagina/volta-da-moringa

sexta-feira, 1 de março de 2013

Reflexões sobre Segurança - Kit de Sobrevivência


Li uma reportagem de um turista perdido na Ilha Chiloé, no Chile, e não posso deixar de comentar sobre a prudência de ter um kit de sobrevivência sempre junto ao corpo.

Eu tenho o meu no tamanho de um porta-câmera e nele tenho materiais sobressalentes do que carrego na minha mochila quando vou para o mato. Não é paranóia, é questão de segurança.



E se vc se perder ou se ferir? Sabe o que fazer?


A chance de se perder nas trilhas demarcadas dos parques é pequena, mas existe, principalmente nos trekkings em que há pernoite. Supõe-se que esse cenário nunca irá acontecer já que além de você andar por lugares demarcados, terá a companhia de um guia.

O kit também serve para locais isolados onde não haja eletricidade ou água, ou para qualquer situação em que esperar é a melhor estratégia para se sair do problema. Ele é um equipamento sobressalente.

Obviamente a montagem do kit depende de qual lugar você vai, mas existe uma regra que se deve decorar:
Ela é baseada no que fazer quando seu equipamento principal não pode ser operado, é o básico da sobrevivência. Deve ser compacto, leve e armazenado de forma que fique seco e sempre estar com você.

Vamos aos passos em ordem de prioridade:

1º Abrigo: Você provavelmente passará a noite esperando pelo socorro, já que a maioria das equipes de buscas encerram suas atividades pela noite ou madrugada. Mesmo se estiver com uma lanterna, não é aconselhável você procurar uma saída, acampe. Proteja-se de animais e do frio.
Opções: barraca de emergência,  ou saco de dormir,  ou cobertor de emergência aluminizados. São super compactos e leves.

2º Fogo: Além de ser uma fonte de calor, será uma forma de proteção contra animais e uma opção de sinalização para o resgaste. Junte gravetos, folhas secas, pedaços médios e grandes de madeira secas ou pouquíssimos molhados.
Opções: Isqueiro, palitos de fósforos impermeabilizados com parafina (e a lixa), pederneira, lima e pedra pirita, pedra de magnésio, lupa. Isca para o fogo (para começar a fogueira), algodão revestido com parafina ou vaselina sólida, OB (tem muito algodão compactado e já vem embalado de forma impermeável), pedaço de borracha de pneu, pedaço de pano com  parafina ou vaselina sólida,

3º Água: Um saco plástico, pastilhas de cloro, camisinhas.  Sem beber água por três dias você não sobrevive

4º Comida: Esse item é obviamente importante para a sobrevivência, mas você consegue ficar até 3 semanas sem comer. Deixe no seu kit uma barrinha de cereal, granola, barras protéicas, se vc for para um local que possa ter lagos e rios um mini kit de pesca com 2 anzóis e 10m de linha. Alguns sobrevivencialistas usam de armadilhas para caçar pequenos mamíferos, mas isso requer prática, e no Brasil a caça é proibida. Se você estudar pode entender de flora e fauna brasileira e procurar por comestíveis. Minhocas, escorpiões, lagartas de bambu etc são recursos calóricos que podem aliviar o cansaço.

5º Sinalização/Orientação: Apito, bússola e mapa do local, lanterna, espelho.

Outras ferramentas para seu kit: canivete, corda resistente (ex.: paracord), kit de costura (alfinete, agulha e linha), pinça, cortador de unha com lixa, fio dental, papel alumínio e fita adesiva (silver tape).