domingo, 4 de agosto de 2013

Acampamento solo na Aldeia Velha - Silva Jardim




Nem tudo foi como planejado. Adiei por um dia a minha ida à Aldeia Velha por conta da chuva. Valeu a pena. Peguei um ônibus para Casimiro de Abreu um pouco mais tarde do que havia dito inicialmente, mas foi ótimo, pois não precisei esperar muito tempo pela condução que me levaria para Aldeia Velha. Aqui vale uma informação valiosa: Já havia comprado passagem para quinta-feira, mas só precisei ir ao guichê para trocá-la por uma nova, ao contrário das passagens áreas, as rodoviárias não pagam multa por no show e você não perde o seu dinheiro. O ônibus que vai para Aldeia Velha partiu pontualmente às 9h da manhã. Muito fácil de encontrá-lo, é só atravessar a BR-101, ele fica estacionado na esquina que de um lado tem uma lanchonete e no outro uma loja de ferramentas.
 Como se vê o bus é antigo e vai devagar pela estrada, em 35min cheguei no destino.
 A estrada já dá uma ideia da bucolidade da região e qual é sua vocação principal, a pecuária.






A vila é pequena, sem grandes atrativos.



plaquinha feliz!
E eis o local que fiquei Fazenda Bom Retiro
capelinha




Detalhes do Caminho da Floresta dentro da Fazenda. Dispensa legendas.
No meio do caminho encontro uma cadeira do mato e um dos instrumentos para fazê-la.
Acampamento com a barraca Everest  e com a rede Amazon, ambos da Guepardo. Montei a rede para saber se poderia passar uma noite, mas só consegui cochilar. Primeiro usei uma corda de varal para prender a rede, mas ela cedeu com o meu peso, depois usei o paracord que deu conta do recado. Usei nós bem simples como a volta do fiel e nó direito.
Silver tape nas pontas das cordas  da rede como armadilha para insetos. Dica extraída do Fórum Bushcraftbr
Início da noite fez 18°C.
O que para uma carioca, é desculpa para um gorro e casaco fleece.
Artesanato no mato. Porta-velas e uma lamparina a óleo. Fiz outras coisinhas também, que mostrarei aos poucos.
Desjejuem.


Andar, simplesmente por andar.



E no retorno ao Acampamento, na entrada da Fazenda, encontra-se esse rio de águas cristalinas.



Depois um merecido descanso na rede. Nunca havia acampado com rede e posso dizer que é uma maravilha ter uma rede para deitar, não foi possível dormir, mas só de não sentar no chão valeu a pena. A rede Amazon da Guepardo é leve não ocupa muito espaço e se mostrou bem resistente.
Três dias e duas noites que passaram muito rápido. Domingo, às 16h o ônibus partia para Casimiro de Abreu e de lá para casa.

Minha primeira viagem solo. Foi para perto, fácil de chegar e sair. Acampamento seguro, num lugar lindo. Tentarei voltar para praticar mais as artes mateiras: reconhecimento de plantas, práticas de nós e amarras, entalhes de madeira, orientação e confecção de móveis e técnicas de obtenção de fogo.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Aldeia Velha - Silva Jardim - RJ

Estou indo para a mesorregião das Baixadas, na Bacia de São João, numa área que foi povoada pelos índios Guarulhos e posteriormente por imigrantes suíços e alemães, do município de Silva Jardim, mas que um dia foi Capivary,  parto para um povoado chamado Aldeia Velha, as margens da BR-101.
Região de Mata Atlântica, com programas para a preservação do Mico-Leão-Dourado e de promoção de RPPN´s para criação de formas desenvolvimento sustentável e alternativas .

Vou preparada para o frio, umidade e chuva nessa primeira viagem solo. Extreme survival skills!

Meu destino é a Reserva Bom Retiro, uma RPPN desde 1993 com atividades de pesquisa científica, educação ambiental e ecoturismo. Eles oferecem vários tipos de hospedagem, mas pretendo ficar no estilo mais roots dentro da minha barraquinha ou rede. Se não aguentar o frio, e tiver espaço, me mudo para o alojamento.

Para chegar lá sairei do Rio às 5:30, (pela autoviação 1001), sairei antes do sol para ver se evito engarrafamento, já que no Rio acontece a Jornada Mundial da Juventude sendo Quinta e Sexta feriados. Quase um Carnaval!
Para chegar lá de ônibus, a melhor opção foi comprar passagem para Casimiro de Abreu, município limítrofe de Silva Jardim, a chegada está prevista para às 7:30. De Casimiro de Abreu pego outro busão ou van para Aldeia Velha, às 9h. Teria opções de outros horários saindo do Rio, mas para ter uma folga de um possível atraso, optei por esperar.

Não tenho roteiro definido, quero chegar  e acampar. Se puder visito as principais atrações do lugar como 7 Quedas na Fazenda Shangri-lá  ou Cachoeira Andorinhas, mas a própria RPPN tem um circuito e atrações para visitar.
 Quero praticar nós e amarras, usar meu recém-feito Gasificador de Madeira que fiz através do tutorial do video abaixo, cavalgar, pescar (?) e sei lá mas o quê...



Espero que tudo ocorra conforme o planejado. Até a volta!



Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Silva_Jardim
http://www.silvajardim.rj.gov.br/site/index.php/o-municipio
http://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/areas_prioritarias/mata_atlantica/mata_atlantica_acoes_resultados/restauracao/bacia_do_rio_sao_joao/

sábado, 20 de julho de 2013

Lapinha-Tabuleiro: Lição 2

Além das boas histórias e do bom povo que conheci, uns dos suvenir que trouxe para casa foram os carrapatos. A trilha é feita por cavalos e burros e vez e outra em alguns trechos devem passar vaca e boi animais notoriamente abrigo de micuins e carrapatos.
Esses parasitas ficam nas folhas e capins esperando um sangue quente passar para atacar. Dizem os artigos que os percebemos 24h depois.
No meu grupo todos foram sorteados, então creio que os intrusos fizeram seu ataque depois que passamos pela D. Maria.
Percebi as minhas primeiras feridas na barriga, provavelmente, os seres irritantes se aproveitaram dos momentos em que tirava a mochila das costas e apoiava no chão para pegarem carona na barrigueira. Depois apareceram as feridas na perna. Porém, só percebi a infestação um dia depois que cheguei em casa.

Extremamente cansada da viagem não tomei uma atitude simples de deixar a minha mochila e os equipamentos isolados, cheguei e joguei tudo no chão da sala e corri para o banho e depois cama.
Quando acordei, começou o martírio. No desespero, liguei para a veterinária da minha cachorra. :) A essa altura a minha cadela tinha passado o dia comigo, já que nós duas dormimos o sono dos guerreiros que voltam da batalha... As orientações foram simples, catar todos os carrapatos em mim, tomar banho com bucha, passar aspirador pela casa, comprar remédio de carrapato para passar no ambiente e  outro para passar na Juju. E observar. Com a Juju felizmente nada aconteceu, mas para mim, o inferno.
Tomava anti-histamínico como quem come bala, acaba o efeito, eu tomava outro e vivi por uma semana em estado alucinógeno, tomei remédio para verme, passei sabonete contra sarna e piolho,  jogava álcool 70% no corpo, tudo que podia eu fazia. A minha vontade era passar o vermífugo da juju em mim, mas deixa para lá. Foram quinze dias para passar a coceira e as feridas começarem a ficar menos vermelhas,
Mais de um mês e depois, ainda tenho algumas cicatriz  no corpo.
Pelo visto a barreira física da roupa, não foi suficiente. Para o próximo camping ou travessia similar a essa achei um produto anti-carrapatos que pode ser passado tanto nos equipamentos e roupas, quanto no corpo.
Se chama Exposis, vou comprar e experimentar e depois comento se funcionou mesmo.                            


Resumo

1. Quando chegar de uma trilha deixe seu equipamento em quarentena e lave imediamente suas roupas.  

2. Previna-se de carrapatos.                                                                                                                                                                                          





sábado, 6 de julho de 2013

Faça você mesmo - Angulador para pedra de afiar faca

Todo hobby tem seus objetos de desejo que você compra um básico e logo depois quer outro mais incrementado, eu estou assim com canivetes, facas e itens de cozinha. Eu sempre usei um canivete, depois comprei um facão e hoje tenho algumas facas. Aprendi sobre diferenças de corte, formato de lâmina e sei que ter um canivete ou faca faz muita diferença na hora da necessidade.
Pois bem, todos os equipamentos têm sua manutenção, com as lâminas não é diferente, depois de usar você precisa limpar para tirar os resíduos e restabelecer o corte do fio se for preciso. Para me ajudar nessa última tarefa fiz um suporte de madeira para a pedra de afiar. Para saber as medidas das peças um pouco de matemática: finalmente usei as Leis dos Senos e Cossenos, Teorema de Pitágoras e Trigonometria (brincadeira, foi tudo no olho) , e com certeza um transferidor para saber se tudo ficou realmente no ângulo que deveria ficar.
Como aprendi no fórum Bushcraftbr um fio feito a 10° e depois terminado com um microfio a 20° permitem uma lâmina com boa capacidade de corte e manutenção do fio por mais tempo. Para ter mais precisão ao deslizar a lâmina da pedra resolvi criar esse suporte, já que a pedra fica na angulação que preciso e deslizando a lâmina numa posição reta em relação a pedra obtenho o fio necessário. No vídeo abaixo mostro o processo.

Por que tem um trecho de música de uma cantora famosa o link não está aparecendo, mas é só apertar que você será direcionado para o meu canal do YT.


segunda-feira, 1 de julho de 2013

Lapinha - Tabuleiro: Lição 1


Essa é uma boa travessia para quem está começando no trekking ou retornando. Se você está mediano fisicamente consegue fazer numa boa.
Porém, a orientação é difícil. mesmo com GPS pode-se perder nas bifurcações que aparecem.
Garmin GPSMAP 62sc,
outdoor Gear Lab

 Os aparelhos de GPS não são 100% precisos  e  isso pode confundir o usuário iniciante. Achei um bom comparativo entre os GPS no Outdoor Gear Lab.
Estava com carta e bússola  e em certos momentos não tinha pontos de orientação suficientes para checar no mapa e nos tracklogs. Porém, se perder por lá não é tão ruim assim você andará mais, entretanto, como é área de  fazendas e  outras propriedades você achará algum caminho ou alguém que poderá te socorrer, mas se não achar e tiver que pernoitar por um dia , não será difícil já que a trilha têm várias fontes de água e bons locais para acampar.
Se você nunca fez a travessia como eu, procure por pessoas que também a farão, pelo que experimentei muita gente faz esse percurso. É fácil de se encaixar em um grupo, ou se não quiser contar com a sorte, procure um guia. Eu achei um que me cobrou R$1200,00 (para 2 pessoas) pelos três dias com suporte de mula e translado de BH-Lapinha e Tabuleiro-BH e não precisaria levar barraca, já que a hospedagem estava inclusa. Para alguns isso pode ser uma alternativa.

Essa é a primeira reflexão da minha viagem, não subestime a Orientação, se puder invista num aparelho de GPS, faça cursos para aprender usá-lo, saiba ler mapas e usar bússola, pq é melhor pecar pelo excesso do que ficar perdido na trilha.
Até.



segunda-feira, 17 de junho de 2013

Lapinha-Tabuleiro: Treinos

Descobri a Travessia em dezembro de 2012, mas como estava muito fora de forma decidi adiar para meio de 2013. O projeto tomou vida em março. A primeira coisa que fiz foi entrar para a natação e melhorar meu condicionamento físico, nos feriados e finais de semana andava em lugares com aclives e declives, principalmente no Parque Nacional da Tijuca.
Início do percurso 7,5Km de subida até estrada do Sumaré
Cruzando com os macacos - Eu juro que pensei que ele iria levar a minha câmera

Vista Baía de Guanabara

De qualquer lugar se avista Ele

Depois comecei a treinar com alguns equipamentos e estudar mais sobre navegação e orientação. Passei um domingo inteiro com a companheira de viagem estudando vários percursos e definindo os pontos de orientação da trilha. Durante o início da trilha, até prestei atenção ao trajeto, procurando por pontos de referência, contei as porteiras, tirei foto das bifurcações, mas em determinados pontos, mesmo estudando o mapa, provavelmente iria me perder, até quem tinha GPS se perdeu, pois os pontos não eram tão precisos e algumas bifurcações ficavam camufladas, por exemplo, no contorno dos picos, ao invés de subir à esquerda no caminho mais difícil com um monte de pedras, o GPS indicava um caminho menos íngreme e mais paralelo, mas que não iria a lugar algum.
Acho que era para esquerda...Cadê o pessoal?

Passagem de nível. 

Apesar da trilha ter nos abrigos alimentação, todos os blogs alertavam para a possibilidade de não haver refeições para todos e com isso fiz umas pesquisas sobre o quê levar para fugir do miojo e da comida liofilizada. Calculei cerca de 1kg de comida por dia, eis, o que a princípio levaria para duas pessoas:
1. 300g de queijo provolone
2. 300g de salaminho
3. 2 porções de 175g de massa para pão de queijo
4. 4 ovos
5. 1 caixa de lentilha pronta (400g)
6. 2 xícaras de arroz
7. carne seca pronta 500g
8. purê de batata liofilizado 200g (rendia até 1kg)
9. 6 colheres de sopa de café e alguns saches de chá
10. 500g de feijoada pronta
11. 1 cebola média
12. 3 dentes de alho
13. sal, pimenta, azeite (30ml) e açúcar
14. umas 6 barrinhas cereais e alguns tabletes de chocolate
Além disso tinha uma panela, um jogo de talheres, fogareiro e mini butijão.
E a companheira de viagem ainda levava algumas coisas com ela, como tangerina e pão árabe
No início era isso.


Total da Cozinha e Alimentos: 4Kg


Meu planejamento eram duas refeições por dia: café da manha (café, mais pão de queijo e os frios), durante o percurso as tangerinas, as barrinhas de cereal e mais salaminho, queijo e pão, e no final do dia  algum grão, arroz e proteína. e chocolate ou fruta de sobremesa. Levaria uma refeição sobressalente caso me perdesse e precisasse ficar mais um dia acampada.

Achei que estava bom, mas na hora de montar a mochila ela estava pesando 16kg!!
Não dava, eu queria carregar no máximo 10kg, tirei a refeição sobressalente e cortei na metade o salaminho, queijo e ovos, e ainda troquei a carne seca, purê e cebola por 2 pacotes de miojo e levei só uma xícara de arroz .

No final a minha mochila estava assim: - Pesando uns 13kg.


não é o fim...

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Lapinha-Tabuleiro: Começo

Completada mais uma aventura. Houve muita pesquisa, muito planejamento, uma dose de coragem e um mix de eventos que você só encontra quando se abre para fazer parte da Natureza.
De certo tinha as passagens de ida, a carta topográfica, track log impresso, bússola, comida e recipientes para água extras. Eu já contava que poderia me perder.
Mas existe uns extras que havia esquecido por ficar tanto tempo longe dos trekkings longos: a solidariedade e generosidade dos caminhantes.
Antes mesmo de descer do ônibus BH-Santana do Riacho começou a se aglutinar um grupo que faria a travessia.
No frete até a Lapinha e depois do almoço as afinidades já se mostraram e o grupo se organizou, apenas um desistiu e partimos para nosso caminho.
Parte da galera

Lapinha
Aglutinação

Todo mundo limpinho e bem alimentado

Não vou descrever aqui o passo-a-passo da trilha, porque todas as dicas que peguei foram dos sites e blogs abaixo e tivemos um Cacique que havia feito a trilha mais de 12 vezes e nos mostrou alguns atalhos e dicas que facilitou ainda mais a vida.

Clube dos Aventureiros

Comecei a minha pesquisa por aqui. Por acaso, fuçando o site achei a travessia e me interessei de cara. Foi um ótimo começo, eles têm muito material, mas não segui a trilha deles porque preferi não subir os picos.

Chico Trekking

Também fez os picos, o relato dele e as fotos, principalmente, da Parte Alta da Cachoeira do Tabuleiro me fizeram ter a certeza de que iria fazer a travessia.

Destino Trilha

Mais um bom relato e dicas do que esperar na trilha.

Caçadores de Cachoeira.

Para quem se interessa em fazer a trilha contornando os picos esse blog faz uma excelente descrição do trajeto, tem até o tracklog. Esse foi o texto em que realmente em embasei para fazer a aventura. E por uma boa coincidência, encontrei duas pessoas que participaram da travessia descrita. O Alex, que talvez tenha como segunda casa a Serra do Cipó e foi nosso guia e o Raimundo que me pareceu um trilheiro também muito experiente.

Eu queria ter feito um monte de review dos equipamentos que levei. Estava preparada para colocar em prática os meus conhecimentos de orientação e etc, mas simplesmente me desliguei de qualquer compromisso que tinha. No próximo post conto mais da minha experiência.

Links para outros capítulos dessa trajetória:

Lapinha - Tabuleiro: Treinos
Lapinha - Tabuleiro: Lição 1
Lapinha - Tabuleiro: Lição 2