sexta-feira, 12 de abril de 2013

Tropeirismo e Trekking

Eu não gosto de comida liofilizada, salvo miojo (que acredito ser) todas têm um único gosto que não me agrada.
Acertar a quantidade de água e a temperatura no meio do mato não é fácil e se a hidratação da refeição não ocorre corretamente, o organismo será forçado a equilibrar roubando do próprio corpo a água a ser utilizada.
Lembrei da frase de um amigo naturapeuta sobre quais são os melhores alimentos a consumir e o mesmo me jogou que "aquilo que está ao ser redor já é suficiente". Então, para que inventar com produtos importados ou industrializados se poderia transportar e consumir alimentos que meus ancestrais utilizavam.
Busquei na nossa história pessoas que precisavam se deslocar em grandes distâncias e quais alimentos carregavam e cheguei nos tropeiros.
fonte:http://migre.me/e5M5h
fonte:http://migre.me/e5M7d

fonte: http://migre.me/e5Mav

Esses homens influenciaram enormemente os hábitos e a economia do Sul, Sudeste e Centro-Oeste na época do Brasil Colônia e Império e sua culinária resiste até hoje.
fonte: http://migre.me/e5Mvv
Eles eram chamados de tropeiros porque conduziam tropas de cavalos e mulas afim de transportar mercadorias e às vezes gado para os arraias que se formavam devido à mineração e depois escoavam a produção até o Rio de Janeiro. Devido aos seus deslocamentos ranchos foram criados que posteriormente evoluíram para vilas e cidades. Eles também eram os responsáveis por levar idéias e  notícias aos cantos do Brasil e podemos dizer que foram os primeiros a fazer a integração do território brasileiro.
Existe um projeto para que eles sejam reconhecidos como Patrimônio Imaterial pelo Iphan e até Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco.
A atividade do tropeirismo surgiu principalmente, porque todos os homens-livres e escravos eram empregados especificamente nas minas, então, alguém precisava levar comida, vestuário e utensílios até eles. No Sudeste, a Estrada Real é um legado dessa época.
mais sobre a Estrada Real acesse esse link: http://migre.me/e5Mk8

Os tropeiros carregavam para suas refeições principalmente: feijão, toucinho, fubá, farinha de mandioca, carne salgada ou seca, café, pimenta-do-reino e coité (um molho de vinagre com fruto caústico espremido). Daí surge um prato regional chamado Feijão Tropeiro.



A comida tropeira era, por si só, simples, prática e de muita “sustança’’, como os próprios tropeiros a definiam. O básico que o tropeiro levava para comer no caminho era o feijão, o arroz, a carne-seca e o toucinho. Depois vinham os acompanhamentos, como as farinhas de milho e de mandioca, o sal, o alho, o açúcar e o pó-de-café.
Logo de madrugada, o cozinheiro, que sempre era jovem, acordava e colocava o feijão para cozinhar, em um trempe “tripé” (arco de ferro com três pés, e sob o qual se coloca a panela ao fogo), enquanto os outros arreavam a tropa e colocavam a carga nos animais. Depois do feijão cozido, fazia-se o café, e, numa panela, fritava-se o toucinho, preparando um feijão tropeiro bem gordo, completando com a farinha de milho. Tomava-se o café com este feijão. O resto do feijão cozido, sem tempero, era colocado num caldeirão e levado no saco para o almoço no caminho. Depois de pelo menos 4 léguas (mais ou menos 24 Km), os tropeiros paravam num rancho e o cozinheiro ia preparar o almoço.
Fritava o torresmo numa panela, tirando o excesso de gordura, e só então colocava o feijão já cozido, os temperos e a farinha de milho, fazendo novamente o feijão tropeiro. Alguns tropeiros mais abastados tinham a carne-seca e a lingüiça que eram acrescidas ao feijão. Na seqüência, preparava-se o arroz tropeiro, fritando torresmo em pedaços, escorrendo o excesso de gordura e depois colocando o arroz para cozinhar.
Esse era o almoço e o jantar do tropeiro. Um outro fato curioso era o preparo do café, que era bebido logo após as refeições.
O tropeiro colocava o pó-de-café e o açúcar numa água já quente. Quando essa mistura fervia, para decantar o pó, o tropeiro colocava três carvões dentro da água, ou então uma pedra, que era  esquentados no próprio fogo.
Após todo esse procedimento, virava o café noutra vasilha e distribuíam para os membros da tropa.
Fonte: Sabores do Tempo dos Tropeiros – Caderno de Receitas
Esse prato vai constar no meu próximo trekking, porém, para não perder tempo e recursos cozinhando vou utilizar os feijões em caixinha pronto e temperado que já apresentei aqui no blog e das farofas prontas, o toucinho e algumas folhas de couve também me acompanharão, assim como o inseparável arroz.


fontes:
http://www.tropeirosdasgerais.com.br/historia.htm
http://www.uesc.br/revistas/culturaeturismo/edicao3/artigo2.pdf
http://site.er.org.br//index.php/home/index
http://pt.wikipedia.org/wiki/Caminho_das_Tropas
http://pt.wikipedia.org/wiki/Tropeiro
http://www.historica.arquivoestado.sp.gov.br/materias/anteriores/edicao41/materia06/



terça-feira, 19 de março de 2013

Volta da Moringa


Esse não é o primeiro nó que aprendemos, na verdade ele nem foi mencionado no curso de sobrevivência, mas eu achei que seria uma boa ilustração para uma das funções do meu chaveiro-mosquetão de paracord.




Na loja Bihai Adventure você encontra esse chaveiro-mosquetão.

Para ver o esquema que me fez entender o nó segue o link: http://www.lisbrasil.com/pagina/volta-da-moringa

sexta-feira, 1 de março de 2013

Reflexões sobre Segurança - Kit de Sobrevivência


Li uma reportagem de um turista perdido na Ilha Chiloé, no Chile, e não posso deixar de comentar sobre a prudência de ter um kit de sobrevivência sempre junto ao corpo.

Eu tenho o meu no tamanho de um porta-câmera e nele tenho materiais sobressalentes do que carrego na minha mochila quando vou para o mato. Não é paranóia, é questão de segurança.



E se vc se perder ou se ferir? Sabe o que fazer?


A chance de se perder nas trilhas demarcadas dos parques é pequena, mas existe, principalmente nos trekkings em que há pernoite. Supõe-se que esse cenário nunca irá acontecer já que além de você andar por lugares demarcados, terá a companhia de um guia.

O kit também serve para locais isolados onde não haja eletricidade ou água, ou para qualquer situação em que esperar é a melhor estratégia para se sair do problema. Ele é um equipamento sobressalente.

Obviamente a montagem do kit depende de qual lugar você vai, mas existe uma regra que se deve decorar:
Ela é baseada no que fazer quando seu equipamento principal não pode ser operado, é o básico da sobrevivência. Deve ser compacto, leve e armazenado de forma que fique seco e sempre estar com você.

Vamos aos passos em ordem de prioridade:

1º Abrigo: Você provavelmente passará a noite esperando pelo socorro, já que a maioria das equipes de buscas encerram suas atividades pela noite ou madrugada. Mesmo se estiver com uma lanterna, não é aconselhável você procurar uma saída, acampe. Proteja-se de animais e do frio.
Opções: barraca de emergência,  ou saco de dormir,  ou cobertor de emergência aluminizados. São super compactos e leves.

2º Fogo: Além de ser uma fonte de calor, será uma forma de proteção contra animais e uma opção de sinalização para o resgaste. Junte gravetos, folhas secas, pedaços médios e grandes de madeira secas ou pouquíssimos molhados.
Opções: Isqueiro, palitos de fósforos impermeabilizados com parafina (e a lixa), pederneira, lima e pedra pirita, pedra de magnésio, lupa. Isca para o fogo (para começar a fogueira), algodão revestido com parafina ou vaselina sólida, OB (tem muito algodão compactado e já vem embalado de forma impermeável), pedaço de borracha de pneu, pedaço de pano com  parafina ou vaselina sólida,

3º Água: Um saco plástico, pastilhas de cloro, camisinhas.  Sem beber água por três dias você não sobrevive

4º Comida: Esse item é obviamente importante para a sobrevivência, mas você consegue ficar até 3 semanas sem comer. Deixe no seu kit uma barrinha de cereal, granola, barras protéicas, se vc for para um local que possa ter lagos e rios um mini kit de pesca com 2 anzóis e 10m de linha. Alguns sobrevivencialistas usam de armadilhas para caçar pequenos mamíferos, mas isso requer prática, e no Brasil a caça é proibida. Se você estudar pode entender de flora e fauna brasileira e procurar por comestíveis. Minhocas, escorpiões, lagartas de bambu etc são recursos calóricos que podem aliviar o cansaço.

5º Sinalização/Orientação: Apito, bússola e mapa do local, lanterna, espelho.

Outras ferramentas para seu kit: canivete, corda resistente (ex.: paracord), kit de costura (alfinete, agulha e linha), pinça, cortador de unha com lixa, fio dental, papel alumínio e fita adesiva (silver tape).




segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Testando para Crer - Desidratando carne em forno convencional

Só a prática para levar à perfeição.

Achei um vídeo muito bom no canal GuiadoSobrevivente no YT que falava em como desidratar carne no forno para armazená-la sem refrigeração.

Ok. Foram 800g de carne temperadas com 2 dentes de alho, 1 folha de louro, 1 grão de pimenta, sal e açúcar e 65min no forno com a temperatura de aproximadamente 100°C. Tempo de conservação no saco à vácuo 2 anos.

Quando vi esse vídeo, pensei: "Essa seria a minha solução para levar carne para o trekking de forma leve e prática". Mas não é.
Primeiro meu forno aquece no mínimo a 180°C, mesmo deixando a porta aberta eu não sei se lá dentro está a 100°C. Pelo tempo que precisou para ficar seco e crocante, foram muito mais que 65min.
Peguei como referência outros videos gringos mostrando receitas diferentes, e fiz a minha. Acho que o importante no processo são temperos que tenham propriedades conservativas e a desidratação.
Essa terceira vez eu documentei.


Deixei as carnes de boi e frango marinando por 24h na geladeira, o tempeiro ficou muito bom. Ao coloca-los na grelha antes sequei com papel toalha o suco e os deixei mais secos para agilizar o processo. A desidratação deu certo, os bifinhos ficaram crocantes.
Porém, errei feio na hora do armazenamento, porque em duas semanas meus bifinhos estragaram e imaginava que sem estar à vácuo poderiam durar pelo menos 1 mês. Eu separei ele em três recipientes. Algo não ocorreu como deveria.
O primeiro recipiente é saco plástico para comida que ficou dentro da despensa. O saco furou e a comida foi invadida por formigas. Os outros dois recipientes foram potes de vidros cobertos com uma película plástica, um pote foi para a geladeira e outro para o armário. Os dois começaram a estragar em 10dias. O que estava na geladeira chegou a estufar a película e um odor azedo surgiu, o outro não.
A segunda vez que fiz esses bifes os levei para o camping, e eles duraram por 4 dias e fiz do mesmo jeito, não sei o que posso ter feito errado, acho que foram meus recipientes que estavam contaminados e estragaram antecipadamente minha comida, mas valeu a lição e com certeza tentarei de novo porque esses bifinhos ficam uma delícia.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Cuidado com os Raios

No Brasil, o verão é marcado por ocasionais pancadas de chuva, eu particularmente não sou fã do verão, porque sendo mês de férias, as trilhas estão lotadas, o calor castiga e tem as tais pancadas.
Com essas pancadas temos as tempestades e isso é um problema enorme se você está na trilha e pior ainda se estiver perto de uma cachoeira.


Segue algumas dicas da Defesa Civil para se proteger dos raios:

1. Não fique próximo a postes, mastros, cercas de arame, varais metálicos, linhas de transmissão, trilhos de trem, árvores isoladas e em topos de morros. Evite locais abertos e descampados.
2. Se estiver acampando, NÃO fique dentro de barracas. Procure abrigo em vales, desfiladeiros e depressões no solo. As hastes das barraca atraem os raios.
3. Saia imediatamente de piscinas, lagos, lagoas e praias e cachoeiras.
4. Não ande a cavalo, nem use o telefone ou qualquer outro aparelho elétrico.
5. Se estiver ao ar livre Não segure objetos metálicos longos como varas de pescas, tripés e bastões de caminhada.
6. Nunca deite no chão, pois é nele que caem as descargas elétricas. Se estiver ao ar livre durante uma tempestade e sentir seus pelos arrepiarem ou sua pele coçar, este é um sinal de que um raio está para cair na região.Se não houver abrigo próximo fique numa posição fetal com a cabeça entre os joelhos.

Fonte: www.campinas.sp.gov.br/noticias-integra.php?id=17118

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

10 dicas de Segurança na Trilha


Para quem pratica esportes que o desafio e limite extremos são componentes da atividade a segurança deve ser sempre checada e rechecada.
Acidentes acontecem pelos seguintes eventos: negligência, imprudência e imperícia.


A saber:

  • Negligência é desleixo, desatenção, inobservância ou omissão no que deve ser feito.
  • Imprudência é falta de cautela, de observar o mal que pode acontecer e saber o que fazer para evitá-lo.
  • Imperícia é a falta de técnica para uma atividade.

Assim, os preparativos para um trekking incluem  além dos itens de segurança o auto conhecimento.

1. Antes da atividade saiba como está a sua saúde, faça check-up médico.


2. Esteja em dia com seu condicionamento físico. O trekking é sobre a caminhada e não sobre o destino. Se vc não estiver com a musculatura saudável, o risco de lesões é maior, as entorses, por exemplo, podem acabar com o passeio.

3. Conheça e respeite seus limites técnicos. Se vc ainda não sabe manusear um GPS ou uma bússola não se aventure em lugares que não conheça. Na verdade é sempre prudente andar com guias locais. 


4. Caminhada também exige equipamentos de proteção individual, exemplos: perneira, bota ou tênis, apito, boné, anorak... O equipamento depende da atividade e do lugar.


5. Sempre avise onde você vai, quantos dias pretende ficar e com quem vai. Se você tiver um rádio, leve um e deixe outro na base, se vc tiver problemas poderá acionar alguém rapidamente. Na falta, o celular pode até funcionar, mas não é garantido.

6. Tenha um kit de sobrevivência junto ao seu corpo, ele será um equipamento sobressalente se por acaso o seu principal falhar. 

7. Saiba primeiros socorros básicos. A intervenção simples, mas imediata pode salvar vidas.

8. Saiba a previsão do tempo e evite sair na chuva. Lugares com cachoeira e rios podem imundar imediatamente e vc correrá risco de vida.

9. Carregue lanternas, mesmo que faça a trilha pela manhã, e leve baterias extras.

10. Esteja alerta, não use drogas, a paisagem e as endorfinas internas já te levarão ao êxtase.



Curtam sempre a trilha com segurança!

Obrigada pela visita ao blog e até o ano de 2013!
Feliz Ano Novo!






terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Ultralight backpacking - parte 1


Ultralight backpacking é um estilo de mochilar com o menor peso possível. São escolhidos materiais resistentes e leves, equipamentos com múltiplas funções, roupas com tecido tecnológico que permitem secagem rápida, proteção contra vento, chuva e ainda são respiráveis.
Existe uma classificação não-oficial de acordo com o peso que se leva: esse peso é a soma dos equipamentos principais como: mochila, abrigo, saco de dormir, lanterna, fogareiro, vestuário, ferramentas e kit de primeiros socorros. Água e comida não são computados.
Ultralight -  até 4,5Kg de carga
Lightweight - até uns 9kg
Tradicional - 14kg
Heavy - 27Kg

Como fisioterapeuta me parece muito sensato sair para caminhar  como menor peso possível. Quando fiz uma travessia de 6 dias na Chapada Diamantina, em 2007, metade da minha mochila era de roupas, e chegando lá vi que só precisava de duas, um conjunto diurno e outro noturno, meu kit de higiene poderia ser bem mais compacto e sei lá mais o quê tinha na mochila para ela pesar tanto, mas as lições foram aprendidas.
Eu ainda sou aquela trilheira tradicional que tem uma mochila de 50 a 60L para passar uns 3 a 4 dias e que acaba carregando mais uma mochilinha a tira colo com documentos, cameras e os eteceteras, mas comecei uma pequena revolução para carregar menos peso. Meu equipamento está evoluindo para:

Por enquanto essa revolução só se estende para caminhadas de 2 dias.

1. Mochila: Ultrasil Daypack da Sea to Summit, peso 64g, capacidade 20L e aguenta até 80Kg, tecido de cordura 30D siliconizada.

Ponto fraco: as alças são muito finas o que depois de um tempo andando incomoda, mas ela não foi desenhada para fazer hiking.



2.Abrigo: Rede Amazon da Guepardo, suporta até 150Kg, pesa 260g, fechada mede de 25x20, tecido 210T nylon com tela mesh. Para toldo uso uma lona 3 x 4 m e paracord de 15m ou fita de nylon.

Ainda não consegui testar.
3. Saco de dormir e isolante térmico de e.v.a: não tenho uma foto dele, já me acompanha um tempo, mas é a linha micron lite da Nautika, pesa no máximo 200g, para ser usado nas noites de verão. Ele é bastante compacto e ocupa pouco espaço na mochila. O e.v.a é muito levinho só ocupa  muito espaço, vai amarrado no lado de fora da mochila.
4.Lanterna, uso uma de cabeça da energizer, ilumina bem, levinha (acho que uns 50g), mas não tem ângulo para direcionar o feixe de luz, porém as mãos ficam livres e isso é  um grande benefício.
5. Fogareiro, uso um reaproveitado de latas de refrigerante pesa no máximo 50g, o combustível é alcool e 50ml consegue ferver 450ml de água.

6. Kit de primeiros socorros, uso uma necessaire pequena que cabe tudo o que preciso. Dimensões 12x10cm e peso cheia deve ficar em 200g.


Continua em outro post


fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/Ultralight_backpacking
http://www.rei.com/learn/expert-advice/ultralight-backpacking.html